terça-feira, 20 de setembro de 2011

le plus beau du quartier

Essa não foi a primeira impressão que eu tive de ti, de jeito nenhum - tu me parecia mais um deslocado, alguém que não se sentia em casa, alguém que estava perdido e lutando para se adaptar. Impressão boba, essa. Tu não está em casa, eu vejo de longe que a tua cabeça vaga por outros lugares, trinta centímetros ao menos acima das cabeças de todos nós. Todo mundo odeia a o teu sorriso debochado, a tua cara de quem não acredita em quanto todos nós somos tão imperfeitos, cometemos tantos erros, somos tão fora de moda. Mas eu gosto, e gosto bastante, de ti. Não ligo para o ar de deboche ou para as criticas severas. Prefiro olhar para as tuas roupas bonitas, ou apreciar quando tu fala francês, ou pensar que, coitado, está no lugar errado. Tu não tenta se adaptar porque esse não é o teu lugar, mesmo. É como ver um estrangeiro. Como ver um alien. É engraçado, é triste, é bonito.


Mais prenez garde à ma beauté
A mon exquise ambiguïté
Je suis le roi
Du désirable

(aliás, dia desses eu podia te pagar un café parisien)

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