quarta-feira, 20 de julho de 2011

um texto sem coesão

Eu sou bem solitária, sabe. Não é questão de companhia ou não, acho que ser solitário é uma coisa que nasce com a gente, que está dentro da nossa cabeça desde o primeiro contato com a mãe. Eu sou daquela espécie que mal consegue se sentir acolhida no ventre materno. Uma vez eu disse que é porque, às vezes, parece que eu estou transbordando de amor mas, se as pessoas perceberem, elas vão se assustar e ir embora. Acho que é isso, sim. Acho que é por isso que eu me acostumei a esse sentimento de solidão.

LinkNa última sexta eu fui almoçar com alguns colegas com quem eu pouco falava. A gente conversou com a naturalidade de quem já se conhece há tempos, e dividiu a conta, e depois foi em uma loja de brinquedos e na livraria. Eu conheci um pouco mais de todos eles, sem nenhum constrangimento, sem nenhum problema. Era como se eu nunca tivesse escrito o quanto eu não queria ser desajeitada perto deles. Era como se ser desajeitada não fosse tão mal. Era como se nós fossemos amigos.

Eu não sei bem onde que está a linha que separa os conhecidos dos amigos e, se tudo der certo, eu nunca vou saber. Não gosto de dividir as coisas. Não sei muito bem em que linha o menino que eu stalkeava virou meu amigo. Não sei se ele virou meu amigo. Dia desses, alguém me disse "ah, o Otani veio chorar as provas dele comigo, acho que é porque tu não estava no msn". Eu não sei se é verdade e, se é, não sei como isso aconteceu.

São só exemplos. Eu não sei como isso de amizade começa, e nem onde vai parar quando termina. Não sei onde termina. Acho que essa linha de que as pessoas falam não existe. Mas é que aconteceu, em algum ponto entre o último dia do amigo e esse, alguma coisa grande e importante. Nesse meio tempo eu fui pammielinda, Pamelinda, Pam, Pammie, sua linda e mais algumas coisas que eles me chamaram, sem contar os xingamentos, sem contar as repreensões, sem contar os gritos e os abraços apertados no corredor, sem contar os olhares e os "obrigado". O caso é que tem algumas pessoas que eu queria abraçar pessoalmente hoje e outras que eu só queria que ficassem online no msn, porque eu não sei se abraçaria. Eu ainda sou bastante desajeitada.

O caso é que, ano passado, eu saberia para quem escrever esse post. E hoje ele é para vocês.

5 comentários:

  1. Nunca vou embora, Pammielinda. <3

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  2. Caralho, eu tenho um rascunho no blogspot sobre o dia do amigo que se parece muito com esse post.

    Vou horrores com a tua cara, Pammie linda. Acho que é esse mesmo sentimento, que temos em comum.

    Feliz dia de você também. :*

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  3. Estranho como me identificar com os outros me faz sentir menos eu mesma. Digo a parte do solitária, como se ao existir alguém parecida fosse tudo se resolver e nunca dar problema. Não é muito bom quando essa magia acaba.

    E olá. :)

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  4. "Eu sou bem solitária, sabe. Não é questão de companhia ou não, acho que ser solitário é uma coisa que nasce com a gente, que está dentro da nossa cabeça desde o primeiro contato com a mãe."
    Bá, não podia concordar mais...:)
    Acho que tudo que fazemos na nossa vida é solitário. Por mais amigos/conhecidos que nós tenhamos, as emoções, as sensações, os pensamentos, as dores... não tem como disfarçar: elas vão ser só nossas. Eu tenho alguns amigos agora. Já tive outros, com os quais não falo mais. Dizem que a amizade é pra sempre, mas eu, que sou muito estraga-prazeres, acho que a amizade é um encontro momentâneo de duas criaturas que dividem mais ou menos as mesmas idéias. E a não ser que você seja um fanático-religioso incurável, as idéias também mudam. E isso não é ruim. Os encontros que eu tive me moldam como eu sou hoje - e vão continuar me moldando pelo resto da vida. Vão continuar aparecendo pessoas interessantes e lindas no meu caminho, mas eu não vou esquecer as de antes, por mais que eu perca contato. Desculpa estragar teus comentários com o meu pessimismo!Dx

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  5. Pamelinda fui eu que disse.
    Beijos.

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