segunda-feira, 6 de junho de 2011

très très dificile

Está chegando a hora, não está?

Eu nem vi quando foi que as tuas mãos começaram a enrugar e os teus ombros se encurvaram. Deve ser porque tu não parava quieta, sempre estava andando pela casa, falando, cantando, se arrumando e arrumando tudo. Eu só fui perceber as marcas da tua idade quando eu tive que começar a te carregar de um canto para outro da casa.

Eu ficava imaginando se ia passar. Se um dia tu ia voltar ao normal e eu rezava, rezava todas as noites para que tu voltasse. Tu não voltou. E te carregar pela casa já era muito difícil, assim como ficou difícil entender o que tu falava. Tu contava para os outros que nós te chamávamos de louca. Era verdade, mas também não era. Nenhum de nós sabia o que tinha acontecido. E agora eu estava pensando se tu chegou a saber o que tinha acontecido.

Foi tão rápido, não é? Cinco meses e a doença já tinha levado o teu corpo. Mais um pouco e ela leva a mente inteira. É assustador porque a gente não teve como evitar. É assustador porque ninguém queria que tivesse acontecido. É assustador porque, agora mesmo, eu sinto tua falta, mas não quero ir te ver.

Eu não sei se tu lembra de mim. Tu lembra do ? Ele só começou a demonstrar amor por ti agora, que tu não pode responder. Ele é assim porque, como muitos homens, foi criado para não amar. Eu espero que tu tenha perdoado ele. Espero que tu tenha perdoado todos nós.

E espero que tu vire uma mosquinha, no fim das contas.





Vai lá, . Vai lá.

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