terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A minha amiga que viajou para a Califórnia.





Sabe, Ana, eu não falo de ti para os outros e não falo muita coisa para ti. Eu te escondo muita coisa e vou continuar escondendo. Mas isso não é um problema em ti e, na verdade, isso não é um problema. Eu não falo para os outros quem tu é, só acabo citando teu nome em uma conversa e outra.

Quem?, eles perguntam.

Tu já foi uma colega minha, uma amiga da faculdade, uma menina que eu conheço, aquela minha amiga baixinha, a minha melhor amiga, a minha amiga que viajou para a Califórnia, a Aninha do inglês. E a mesma, a mesma o tempo todo.

Eu não gosto de tudo em ti. Às vezes eu quero te bater. Às vezes eu me preocupo contigo e às vezes eu queria que tu estivesse aqui.

Hoje eu queria que tu estivesse aqui.

Mas o engraçado é que eu normalmente só reconheço gente que veio para ficar depois de anos. Muito mais do que os dois anos que a gente se conhece. E de algum modo eu sei que tu vai ficar. E nem é pela proximidade óbvia que a gente vai ter nos próximos anos. É que tu vai ficar. Aqui, no Vale e em San Francisco.

Tu vai ficar.

1 comentários:

  1. Amizades são relações estranhas, no mínimo.

    (lembro que quando te conheci, pensei "gostaria de ser amiga dessa guria". mas depois "seria daquelas amigas com quem não tenho muito assunto".)

    E a Ana foi só pra conhecer ou se mudou de vez?
    ;***

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