
Sabe, Ana, eu não falo de ti para os outros e não falo muita coisa para ti. Eu te escondo muita coisa e vou continuar escondendo. Mas isso não é um problema em ti e, na verdade, isso não é um problema. Eu não falo para os outros quem tu é, só acabo citando teu nome em uma conversa e outra.
Quem?, eles perguntam.
Tu já foi uma colega minha, uma amiga da faculdade, uma menina que eu conheço, aquela minha amiga baixinha, a minha melhor amiga, a minha amiga que viajou para a Califórnia, a Aninha do inglês. E a mesma, a mesma o tempo todo.
Eu não gosto de tudo em ti. Às vezes eu quero te bater. Às vezes eu me preocupo contigo e às vezes eu queria que tu estivesse aqui.
Hoje eu queria que tu estivesse aqui.
Mas o engraçado é que eu normalmente só reconheço gente que veio para ficar depois de anos. Muito mais do que os dois anos que a gente se conhece. E de algum modo eu sei que tu vai ficar. E nem é pela proximidade óbvia que a gente vai ter nos próximos anos. É que tu vai ficar. Aqui, no Vale e em San Francisco.
Tu vai ficar.
Amizades são relações estranhas, no mínimo.
ResponderExcluir(lembro que quando te conheci, pensei "gostaria de ser amiga dessa guria". mas depois "seria daquelas amigas com quem não tenho muito assunto".)
E a Ana foi só pra conhecer ou se mudou de vez?
;***